quinta-feira, 27 de março de 2008

O "trade-off" da vergonha

O Pico afiado da Pirâmide

Como a ganância cega de uma empresa se sobrepõe ao conceito ético e moral de "negócio".
ou
Como enriquecer à custa do falhanço dos outros
ou
Como roubar uns cobres ao próximo e dizer que a culpa foi dele


Os porquês de uma atitude revelados


O que dizer da deficiente política de devolução de produtos, e consequente restituição de dinheiros, que a Agel promove?

O que pensar de uma empresa que viola abertamente o código de conduta de uma associação a que pertence, e na qual é altamente respeitada (o presidente da Agel faz parte do concelho directivo da DSA desde há muito pouco tempo)?

O que dizer de uma empresa em que o risco de alguém "ficar a arder com o dinheiro" é mais elevado que o normal?

De facto, nalgumas outras conhecidas companhias de MLM os prazos indicados para devolução de produtos, com direito a reaver o investimento, são muito mais alongados. Por exemplo, Quixtar: 6 meses, Herbalife: 1 ano.

O caso atinge um tal grau de estranheza quanto a diferença entre o prazo proposto pela dita associação (a DSA) e o imposto pela Agel. A associação sugere 1 ano, a Agel oferece 1 mês. São 11 meses a menos.

O que há de errado com este quadro, afinal de contas? Porque age a Agel desta forma?

A hipótese mais natural seria pensar que a Agel age desta forma porque não está interessada em devolver o dinheiro a ninguém. É uma hipótese perfeitamente plausível, dada a natureza fraudulenta inerente ao negócio. Esta hipótese pode ser sempre verdadeira.

Mas o caso, contudo, é bastante mais grave do que apenas isto.

Esta falta de respeito para com os distribuidores da rede prende-se com uma outra situação: com a existência do bónus de recrutamento, as comissões de "início rápido", a maneira mais imediata de fazer dinheiro na Agel.

Tal bónus, um dos indicadores mais forte de que estamos na presença de um esquema em pirâmide, serve à empresa como modo aliciante de expandir a rede. O bónus oferece a possibilidade de ganhar dinheiro através do recrutamento de novos membros, e permite a qualquer pessoa pagar rapidamente o dinheiro que investiu (se conseguir recrutar mais pessoas, isto é). É uma peça fulcral na estratégia da Agel. Atrair rapidamente muitas pessoas para a rede.

Pois bem, este bónus tem uma relação muito próxima com o prazo de devolução de produtos anunciado pela Agel. É por causa deste bónus que o prazo não é mais alargado.

Ridículo? Nem tanto.

Imaginemos que o prazo de devolução era de 6 meses.

Imaginemos depois a seguinte situação: o Pedro adere à rede em Janeiro, através do pacote básico. Paga 250€ e compra 4 pacotes de saquetas. Durante os meses de Fevereiro, Março e Abril, o Pedro alicia 20 novos membros a entrarem para a Agel, no pacote executivo. No total, e à custa das comissões de recrutamento, o Pedro embolsa 4.000$. O Pedro desiste da rede em Maio e devolve os quatro pacotes de saquetas originais à Agel, recebendo em troca cerca de 230€. O seu saldo final de participação é de 4.000$ - despesas de portes da sua encomenda. No mês de Junho todos os 20 membros que o Pedro inscreveu, e que na realidade são apenas 10 (cada um inscreveu-se duas vezes falsificando informações), decidem desistir, devolvendo cada um a totalidade dos produtos, e recebendo cada um a devolução integral do dinheiro (menos despesas de envio). O grupo reúne-se e distribui o ganho por todos. O lucro individual é baixo, mas dado o pouco trabalho envolvido no esquema, o golpe compensou. A Agel ficou a arder com o dinheiro e ainda tem de fazer contas às comissões que pagou ao upline. A Agel acabou de ser intrujada. O Pedro e os amigos não fizeram mais do que utilizar-se do sistema de negócio da Agel e aproveitá-lo em proveito próprio. Defraudaram a Agel utilizando as regras por ela propostas.

Está aí a explicação de tudo. Se o prazo de devolução de produtos passasse a seis meses, a Agel ficaria sujeita a ser roubada. A não ser que alterasse as regras do jogo.

Desta forma, a alternativa à situação actual envolve um trade-off. A Agel teria de eliminar o bónus de início rápido e estender o prazo para aceitação de produtos - no mínimo para seis meses, no ideal para um ano (os produtos têm essa garantia). A Agel perderia em termos de rapidez de crescimento da rede e ganharia em termos de credibilidade no negócio.

Na minha opinião, a situação actual é vergonhosa. Para evitar possíveis situações de abuso, a empresa decidiu sacrificar os seus próprios membros em prole do seu enriquecimento. É uma empresa que não aceita perder dinheiro, nem que seja para salvaguardar os interesses e a confiança que nela são depositados. Prefere ver pessoas a perder dinheiro (a grande maioria, como prova a matemática) do que ver a rede a crescer mais lentamente. O modelo de negócio foi desenhado para proporcionar estes resultados. É um modelo de negócio do mais desdenhoso imaginável.

Na minha opinião, e por outro lado, isto é um erro estratégico. Seria muito mais complicado acusar a Agel de ser uma pirâmide se não existisse o bónus de recrutamento rápido, por um lado, e se o prazo de devolução de produtos fosse mais alargado, por outro.

Da forma como está a conduzir o negócio, a Agel aparecerá sempre mal na fotografia. As opiniões da ASAE e da DECO estão aí para o provar.

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Explicação adicional: a situação apresentada de roubo premeditado pode extender-se, com um pouco de habilidade, às compras mensais, mas o caso estaria sempre condicionado ao factor "binário", e seria imprevisível de calcular quem no uppline ganharia as comissões. O bónus de início rápido é uma situação de ganho directo, não depende da perna mais curta para poder ser amealhado - o exemplo é válido nesse sentido.


9 comentários:

gap disse...

olá.
e os teus amigos que te convidaram para entrar na agel, como estão? Lucraram alguma coisa, ou só estão na promessa?
abraço

Anónimo disse...

Meu caro Pedro Menard, não há ninguém que tenha solicitado a desistência da agel e que tenha ficado sem receber o seu dinheiro.

Se conhece alguém diga quem é... a unica hipotese de isso acontecer é alguém dizer que quer desistir e não fazer nada para isso.

Aldrabão!!!!

cumps

Pedro Menard disse...

Gap,

Na verdade não faço a mais pequena ideia. Nunca mais discuti o assunto com eles.

Da última vez que isso aconteceu, La para Janeiro, ambos diziam que já estavam a ganhar dinheiro. Fiquei sem saber se estavam a falar de lucros, ou se era só mesmo receitas brutas.

Se a rede estiver a expandir a ritmo acelerado, como anunciam muitos membros da Agel, admito que já estejam a ganhar uns trocos.

Cumprimentos,

Pedro

Pedro Menard disse...

Caro Anónimo,

Vamos por partes:

Eu não me lembro de ter mencionado em parte alguma que as pessoas que desistiram não receberam o seu dinheiro de volta.

Será que escrevi tal coisa e não dei por ela?

Após uma segunda leitura mais atenta do texto da mensagem, continuo sem encontrar a dita afirmação.

Isto leva-me a concluir que o Sr. não está interessado em discutir o raciocínio apresentado no texto. Apenas está interessado em falar de outra coisa distinta.

Coisa distinta essa que até é um assunto interessante de debater.


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"Não há ninguém que tenha solicitado a desistência da agel e que tenha ficado sem receber o seu dinheiro."

>> O Sr. por acaso conhece todos os casos de desistências para poder afirmar isso? Se sim, então, por favor, coloque aqui números concretos.

Quantas desistências houve em 2007 cá em Portugal?

Quantas houve em 2008?

Dessas desistências todas, quantas ocorreram no primeiro mês e quantas ocorreram depois?

O que aconteceu a quem desistiu depois do prazo indicado? Conseguiu reaver o dinheiro em troca das caixas?

Apresente a fonte de onde retirou essa informação.

Caso contrário, mais vale não falar de coisas que desconhece. Corre o risco de passar por alguém que não tem bases para suportar o que diz (um aldrabão, por outras palavras).

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"Se conhece alguém diga quem é... a unica hipotese de isso acontecer é alguém dizer que quer desistir e não fazer nada para isso."

>>> Por acaso até conheço. E o mais engraçado é que a pessoa em questão desistiu dentro do prazo de 1 mês e a Agel não lhe devolveu o dinheiro.

Quanto aos dados para o provar, não se preocupe. Dentro em breve este caso vai ser exposto num artigo específico aqui no blog. É uma promessa.

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"Aldrabão!!!!"

>>> Face à explicação exposta acima, acho que é o Sr. que está em falta para com a comunidade leitora.

Apresente os dados que lhe peço para comprovar aquilo que afirma.

Cumprimentos,

Pedro Menard

Anónimo disse...

Obrigado por cabar de se contradizer. Afinal até conhece alguém que desistiu e não recebeu o dinheiro... só falta dizer quem foi.

Quem faz afirmações depreciativas em relação à agel é o Sr. embora a maior parte delas sejam absolutamente mentirosas e ridiculas. Mas o tempo encarregar-se-á de o provar.

O Sr. esquece-se que quem tem que provar alguma coisa é o Sr., porque é o Sr. que diz que a agel é assim, a agel á assado,... mas esquece-se que está a operar legalmente. E o Sr. é que diz que é uma empresa que está a operar em Portugal de forma ilegal. Claro que é o Sr. que tem ´ónus da prova. Mas a sua conversa é sempre: um dia vou provar... já estou a dar andamento às denuncias no ministério publico e etc. (lembra-se?) Então é essa empresa que tem que dizer que não, não estamos legais porque...?!?!?!?!?

Tenha juízo.

Essa pessoa que diz que ficou sem o dinheiro tenho a certeza absoluta que para não ter recebido o dinheiro de volta foi porque não fez o que lhe disseram para fazer.

Provavelmente muitas pessoas desistiram. Mas nenhuma ficou sem receber o dinheiro desde que tenha feito o que era preciso.

Não é preciso dizer as minhas fontes e provar qualquer outra coisa porque a Agel de facto funciona assim. Se alguém tiver alguma coisa a dizer em contrário, primeiro peça ajuda ao seu patrocinador, depois fale com a agel e faça o que tem que fazer.

Deixe-se de tretas.

Cumps.

Pedro Menard disse...

Caro Anónimo,

"Obrigado por cabar de se contradizer. Afinal até conhece alguém que desistiu e não recebeu o dinheiro... só falta dizer quem foi."

>>> Não vejo qualquer contradição - e o Sr. também não vê, na verdade.

Não se preocupe com o nome. Vai sabe-lo dentro em pouco. Assim como vai saber de outros casos que desistiram depois de um mês e agora anda a vender os produtos noutros lados.

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"Quem faz afirmações depreciativas em relação à agel é o Sr. embora a maior parte delas sejam absolutamente mentirosas e ridiculas."

>>> Por acaso não quer dizer quais é que são mentirosas e ridicula? É que se continua a falar nesse tom totalmente vago, continua a não ter argumentos nenhums.

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"Mas o tempo encarregar-se-á de o provar."

>>> Cá fico à espera.

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"O Sr. esquece-se que quem tem que provar alguma coisa é o Sr., porque é o Sr. que diz que a agel é assim, a agel á assado,... mas esquece-se que está a operar legalmente."

>>> Deve haver aqui algum mal entendido. EU ESQUEÇO-ME QUE A AGEL ESTÁ A OPERAR LEGALMENTE? O Sr. está a brincar comigo? Será que não leu bem as minhas mensagens anteriores?
Muito pelo contrário: EU NÃO ME CONSIGO ESQUECER QUE A AGEL ESTÁ A OPERAR EM INCUMPRIMENTO COM A LEI.

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"E o Sr. é que diz que é uma empresa que está a operar em Portugal de forma ilegal. Claro que é o Sr. que tem ´ónus da prova. Mas a sua conversa é sempre: um dia vou provar... já estou a dar andamento às denuncias no ministério publico e etc. (lembra-se?)"

>>> Mais uma vez, há aqui algum mal entendido. Não sou só eu que digo que a Agel está ilegal cá em Portugal. A ASAE e a DECO também o dizem. O jornal Expresso também o diz, embora de uma forma mais encoberta.

A minha conversa não é sempre "eu vou provar". A minha conversa é "eu já apresentei provas".
Quanto ao Ministério Público, eu nunca mencionei que iria apresentar uma denúncia junto do mesmo.

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"Então é essa empresa que tem que dizer que não, não estamos legais porque...?!?!?!?!?"

>>> Ter, não têm. Mas convenhamos que se não o fizer de forma clara e concreta, a sua reputação vai sair muito manchada do assunto.

Repare o que temos: de um lado uma série de sites que aldrabam os consumidores com afirmações falsas sobre esquemas em pirâmide - informações essas que ilibam a Agel de o ser; temos também um negócio anunciado como sendo de Vendas Directas, a empresa sócia da DSA, e no qual não existem vendas directas nenhumas; temos um conjunto de membros a dizerem que é uma rede de auto-consumo quando essa frase, em conjunto com os incentivos dados no plano de compensações, é sinónima de "vendas em pirâmide". Isto só para mencionar algumas situações

Do Outro lado temos a DECO e a ASAE a chumbarem de forma clara o modelo de negócio. É ilegal. É uma pirâmide.

O Sr. até pode pensar o que quiser, mas as entidades em questão não são propriamente umas coitadinhas.

A Agel está em muito maus lençois.


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"Essa pessoa que diz que ficou sem o dinheiro tenho a certeza absoluta que para não ter recebido o dinheiro de volta foi porque não fez o que lhe disseram para fazer."

>>> O Sr. de facto tem muitas certezas absolutas. Como pode estar a afirmar isso se não conhece o caso?

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"Provavelmente muitas pessoas desistiram. Mas nenhuma ficou sem receber o dinheiro desde que tenha feito o que era preciso.

Não é preciso dizer as minhas fontes e provar qualquer outra coisa porque a Agel de facto funciona assim."

>>>> Brilhante construção lógica.

Eu contraponho o seguinte:

Não preciso de apresentar quaisquer dados ou fontes para provar que toda a gente que desistiu da Agel não recebeu um tusto de volta, porque a Agel de facto funciona assim.

(espero que entenda onde quero chegar)

Sem fontes, sem credibilidade.

Dizer que é assim porque é assim é o argumento mais falacioso de todos.

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"Se alguém tiver alguma coisa a dizer em contrário, primeiro peça ajuda ao seu patrocinador, depois fale com a agel e faça o que tem que fazer."

>>>> E se o patrocinador não souber? E se o patrocinador também estiver para desistir? E se o patrocinador do patrocinador se estiver a borrifar para o assunto?
E se a Agel demorar dois meses para reposnder ao pedido de desistência. E se a linha do Call-Center for tão má, tão má, que o tipo que atende o telefone não sabe responder às perguntas colocadas?

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Cumprimentos.

Pedro Menard disse...

Há um novo local de mensagens neste blog.

Optei por um espaço com uma data mais antiga para não retirar o protagonismo às actuais mensagens.

http://esgotocapitalista.blogspot.com/2008/03/ratos-de-poro.html

Espero que isto solucione algumas situações mais espinhosas.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

Parece que o Sr. Menard sofre de um qualquer trauma em relação à Agel. Teria sido enganado? Mal tratado? Ou então é pago para falar mal. Ou ainda, fala mal pelo simples prazer de falar mal. Vai-se lá saber.
Em relação à legalidade da Agel, acho que, se realmente estivesse ilegal, a ASAE já tinha tratado do caso, uma vez que esta entidade até nem tem por hábito perder tempo com encerramentos.

Cumprimentos e continuação de boa "má língua",
H. Cabrita

Pedro Menard disse...

Caro H. Cabrita,

"Parece que o Sr. Menard sofre de um qualquer trauma em relação à Agel."

>>> É verdade. Não nego. É o chamado T.V.D.E.F (Trauma da Vontade de Denúncia de Esquemas Fraudulentos). Sofro cronicamente desse problema.

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"Teria sido enganado?"

> Quase... (não cheguei a entrar)

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"Mal tratado?"

> Não.

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"Ou então é pago para falar mal."

>>> Não. Mesmo que tivesse sido pago par alguma coisa, "falar mal" é "bocadito" diferente de apresentar argumentos concretos. Argumentos esses que, mais uma vez, não vejo ninguém a tentar refutar. A sua mensagem não apresenta nem uma pálida tentativa.

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"Ou ainda, fala mal pelo simples prazer de falar mal. Vai-se lá saber."

>> Não nego que nesta minha cruzada pela denúnica desta FRAUDE, não sinta um certo prazer em expor todas as MENTIRAS, OMISÕES, TRAFULHICES e ALDRABICES que a rede Agel anda a espalhar.

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"Em relação à legalidade da Agel, acho que, se realmente estivesse ilegal, a ASAE já tinha tratado do caso, uma vez que esta entidade até nem tem por hábito perder tempo com encerramentos."

>>> A ASAE, como bem deve saber, nãotem hábito perder tempo com assunto que ponham em risco a saúde pública, na maior parte dos casos.
Vamos ver como reage à minha denúncia. Pode ser que decida actuar ainda antes da "tourada".

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Cumprimentos e continuação de boa "má língua",

>>> Ora essa. Conte comigo.

Cumprimentos.