segunda-feira, 3 de março de 2008

A DECO e a ASAE - as perguntas...

A seguinte mensagem seguiu para DECO (Associação de Defesa do Consumidor - http://www.deco.proteste.pt/ ) e para a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica - Órgão de Polícia Criminal - http://www.asae.pt/ ), no passado dia 30 de Janeiro.



"Exmos. Senhores,

Venho por este meio apresentar alguns pedidos de esclarecimento relativos ao assunto "Vendas em Pirâmide", conforme o disposto no Decreto-Lei n.º 143/2001. de 26 de Abril, Artigo 27º.

Há cerca de três meses fui abordado por membros de uma empresa chamada Agel e convidado a entrar para uma rede de "Marketing Multinível" e "Vendas Directas". Na apresentação do plano de trabalho, ficou logo claro para mim que os produtos comercializados pela rede não eram para vender a ninguém (seriam eventualmente para consumo próprio e para promoção da empresa junto de terceiros), e que os maiores ganhos proporcionados pelo negócio adviriam, entre outras coisas, do recrutamento de novos membros para a rede.

A princípio não fiquei alarmado, porque não fazia a mínima ideia acerca do significado de "Marketing Multinível", "Vendas Directas" e de um outro termo que não foi nessa altura, utilizado: "Esquema de Vendas em Pirâmide". Parecia tudo um conto de fadas.

Decidi, antes de me inscrever, e apesar das promessas quase certas de um lucro milionário ao final de alguns meses de "actividade", informar-me melhor acerca do negócio. O que encontrei (não cá em Portugal, porque a informação é mesmo escassa e está dispersa, mas no estrangeiro, na Internet) deixou-me alarmado. O negócio em causa tem toda a aparência de uma coisa legítima, mas por trás opera com base nalguns procedimentos piramidais, creio. Não tenho contudo a certeza, e gostaria que a DECO/ASAE me informassem mais em específico sobre este assunto.

A Agel, e só para complementar a informação, é uma empresa Americana, não está registada como empresa em Portugal, e opera desde 2006 com base numa mecanismo de bases de dados através de Net.O dinheiro recebido mensalemente pelos membros é colocado directamente na conta bancária a partir do estrangeiro, não gerando qualquer documento contabilístico em compensação. O contrato que é apresentado aos novos membros está todo em inglês. Em inícios de Novembro foi publicada uma reportagem no Expresso que de certa forma denunciava a situação - muito ao de leve, contudo. Sem se comprometer.

A questões que tenho para colocar são as seguintes:

1 - Uma pessoa, para se inscrever na rede da Agel (e posso-vos enviar a documentação que o refere), paga uma inscrição que pode ser de 260€ ou de 960€, conforme o plano para que entra (básico ou executivo). Em qualquer dos casos, recebe produtos em troca desse dinheiro. Por cada nova pessoa que um membro recruta para a rede, e que por sua vez também paga uma inscrição em troca de produtos, esse membro recebe 35€ ou 200€ de bónus, respectivamente, conforme o plano para o qual consegue aliciar a pessoa a entrar.
Ao abrigo do decreto-lei em questão, está este procedimento a infringir a lei?


2 - Um outro procedimento no "plano de compensações" da Agel permite que qualquer membro receba, numa base periódica mensal, comissões sobre as COMPRAS feitas por outros membros que estão abaixo de si (o chamado downline). O problema é que para receber essas comissões, um membro tem de efectuar o pagamento obrigatório de um mínimo de 60€ em produtos. Ou seja, para receber comissões sobre as compras de outros membros, um membro tem de pagar. Mensalmente.
Ao abrigo do decreto-lei em questão, está este procedimento a infringir a lei, uma vez que é uma espécie de repetição regular, mensal, do procedimento de recrutamento?
Em caso negativo, estará este procedimento a infringir outra lei que não esta?

3 - Há uma série se sites de membros da Agel a publicitarem o negócio na net portuguesa. Em alguns desses sites encontrei propaganda manifestamente enganosa, a referir que um "esquema em pirâmide" não movimenta qualquer produto ou serviço, entre outras falsidades.
A minha pergunta é se essas informações, como enganosas que são, e podendo contribuir positivamente para a decisão de uma pessoa entrar para a rede, não estarão também a violar alguma lei.

Considerem por favor a seguinte página para melhor avaliar a situação:

http://world-agel.com/index.php?option=com_content&task=view&id=17&Itemid=35


4 - Qual é a validade efectiva de um contrato que diz "North American Edition" na primeira pagina, e que está todo escrito em inglês?

5 - Pode uma empresa operar um negócio em Portugal durante tanto tempo (mais de um ano) sem ter sede efectiva ou representante legal em território nacional?

Acerca da primeira questão, já obtive por telefone um parecer vosso, há cerca de dois meses atrás, quando me inscrevi na DECO, e que apontava para um "esquema em pirâmide". Mas gostaria de obter uma confirmação por escrito.

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Agradeço a vossa atenção em relação às questões colocadas.

Com os melhores cumprimentos,

Pedro Menard

Ratos de Porão

Comentários que não merecem ser comentados

Devido a alguns abusos por parte de gente que pura e simplesmente "não entende", e face à minha própria recusa cortar o direito de palavra a quem pretenda escrever neste blog, resolvi criar um espaço próprio onde colocar todas as mensagens que não merecem outro comentário que não este que estão a ler. Em vez de as apagar, resolvi que é melhor mandá-las para o "caixote do lixo".

Os comentários que irão ler a seguir são da autoria de pessoas que considero terem abusado do seu "tempo de antena", bem como da minha tolerância, paciência e boa vontade. São, na sua maioria, insultos, incidências abusadoras sobre argumentos já discutidos, tentativas de desviar o foco da conversa para assuntos que não estão em discussão, e comentários que nada têm a ver com a temática abordada no blog. Esta mensagem, pela sua natureza específica, estará em constante actualização.

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Colocada por "Anónimo", em 29 de Março de 2008 5:55

A ASAE e a DECO chumbaram o negócio da AGEL? ha ha ha!!!!

Essa conclusão deve ser por causa do seu suposto email recebido da ASAE e da DECO!!!!

RIDICULO!!!

Continuo a assegurar a todas as pessoas que quem quiser desistir pode faze-lo sem qualquer problema, e independentemente de poder demorar toda a gente recebe o dinheiro de volta!!!

Se alguém precisar de ajuda, e caso o seu patrocinar esteja numa das situações inunciadas pelo "carola mentiroso" PEdro MEnard, pode deixar aqui um contacto que eu tento encaminhar.

Mas é o patrocinador que tem a obrigação de ajudar ou a pessoa mais acima da sua arvore.

Ó PEdro, então tu achas que já apresentaste provas não é? És muito ridiculo... tens escrito muita porcaria mas não estás a provar nada... blá blá blá!!!

Não percebes?

Em relação Ministério Publico, não percbo porque não fazes uma denuncia no MP, porque essa é a entidade certa para o fazeres em prol do combate ao crime (pelo menos o da tua cabeça).

Acho ue devias ter coragem para o fazer!

Continuas a ser muito mentiroso!!

Cumps

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Colocada por "Anónimo", em 29 de Março de 2008 6:01

"Leia todas as mensagems que, neste blog, mencionam ASAE e DECO."... deves estar a gozar, diz lá aqui onde é que a ASAE e a DECO falaram no nome da AGel, e principalmente quando "chumbaram" o negócio?

Não vais ser capaz porque estás a mentir.

Se não sabes se os sites são oficiais ou não, antes de falares devias informar-te e aqui já te disseram que só havia um site oficial em português:
http://www.universalagelteam.com

Contente?

Em relação ao resto não há nada a dizer é mais do mesmo. Só o Sr. é que sabe, é que está certo. Só os seus raciocinios é são os correctos.

És muito arrogante.

Queria só lembrar-te que julgamento só em tribunal, não estás no tempo nem num país que os julgamentos sejam na prça publica, áliás esse tipo de julgamento constituem crime.

Cumps


Colocada por "Anónimo", em 29 de Março de 2008 6:03


MAis do mesmo.

És o Sr. sabe tudo, mas enganas-te, a ti e aos otários que acreditam em ti.

Não passas de um aldrabão!

Cumps

Colocada por "Anónimo", em 31 de Março de 2008 16:15

Ó pinoquio, porque continuas a inventar as tuas histórias mentirosas acerca da agel?

É só blá blá: "como eu já demonstrei"; "os meus comentários"; "o que eu já disse" - O que é que achas que tu és? Algum ser superior. Só tu é que sabes os outros são todos burros. Tu és o génio que descobriu tudo, mas só mesmo tu é que vez.

Estás sempre a dizer coisas do genero: "a ASAE já disse que o negócio da agel é ilegal", " A DECO já provou que a agel é um negócio em piramide"... e tudo em resposta "aos meus mails", és muito convencido. Mas ser convencido não te dá o direito de mentir e enganar as pessoas que bem ou mal vão lendo as tuas aldrabices estapafurdias.

Escreves muita coisa mas continuas à espera que provem que toda a treta que tu escreves seja mentira, mas esqueces-te que ninguém está preocupado em demenstrar que o que escreves é mentira... tu sózinho descredibilizas-te!!!

PEDRO ALDRABÃO MENARD...

Provavelmente vais voltar a censurar novamente todos os comentários que não te agradam, mas já algo a que habituaste os leitores.

Cumps

Colocada por "Anónimo", em 1 de Abril de 2008 (a várias horas e em várias mensagens)

Põe lá esta:
MENTIROSO / SÓ PUBLICAS O QUE TE INTERESSA / CENSURA
MENTIROSO / SÓ PUBLICAS O QUE TE INTERESSA / CENSURA
MENTIROSO / SÓ PUBLICAS O QUE TE INTERESSA / CENSURA
...

Colocada por "Anónimo", em 4 de Abril de 2008 8:40

Continuas igual... e a mandar areia para os olhos dos, eventuais, leitores deste site.


Colocada por "Anónimo", em 7 de Abril de 2008 15:51

Depois da lição de português podia responder à minha pergunta.

Porque de facto depois de ler todos os seus comentários pesquisei junto da ASAE e DECO e não existe nenhuma menção à Agel.

Nos seus comentário além de muita arrogância e pretensão, a falta de credibilidade também abunda.

MAs obrigado pelo "aviso"... além de arrogante você costume ameaçar também? Sr. Dr.?

É incrivel mas afinal aquele Sr. que para aqui andou a falar de mentira e censura tinha a ver com esta sua atitude? Não me diga que ele tinha razão? É que pensei que era alguém sem nível que andava aqui só a destabilizar, e de certa forma condenei as suas atitudes, mas agora não sei se estava enganado. Talvez!

O Sr. quando não gosta dos comentários ou questões que lhe colocam, o Sr. não responde... é isso não, e prefere dizer que são questões sem fundamento e que já está diti e explicado por si. e ponto final que vocÊ é que sabe.

Consegue dizer onde a ASAE ou DECO realmente falam da Agel? Só você deve ter visto.

Não aparece em lado nenhum.

PRovavelmente não vai gostar deste comentário, ou porque é pouco inteligente ou porque ... (?) e vai enviar para o porão junto com os ratos. É isso não? MAs pelo menos responda de forma clara, rápida e sucinta. Já agora antes de responder veja no diccionário o que quer dizer: rápido, claro e sucinto. E depois faça o favor de responder ou comentar como o Sr. prefere.


Colocada por "Anónimo", em 8 de Abril de 2008 15:25, repetidamente em várias mensagens

SALAZAR!!!


Colocada por "Anónimo", em 30 de Abril de 2008 16:51

Não é nada que o proprietário deste blog não faça recorrentemente.


Colocada por "Anónimo", em 1 Maio de 2008 12:18

Pedro és um anormal!!!


Colocada por "Anónimo", em 13 Junho de 2008 20:20

Ridiculo e pessoas dizer que a herbalife e piramide e é ilegal e esta legalizada em portugal a 13 anos.... Cambada de ignorantes! MLM nao e piramide! o Povo portugues e muito tapado da mente! fAço o multinivel da Fuel Freedom internacional e tenho uplines meus a ganhar mais do que eu... segundo estes imcompententes eu como tou em cima ganho mais que eles!

Piramide e o GOVERNO! ta la smp o presidente a mamar e o ze povinho a pagar!

sábado, 1 de março de 2008

Comparativo de Preços

Como comparam alguns produtos da Agel com a sua concorrência directa
-
produtos à venda nas lojas e em farmácias


*** Artigo em construção - Última actualização:05/03/2008 ****

Este estudo comparativo não pretende afirmar ou sugerir que qualquer uma das marcas apresentadas é melhor do que as outras. Contudo, serão eventualmente feitas referências a estudos independentes que apontam nomes de marcas específicas.

Por outro lado, adoraria que alguém da Agel apresentasse estudos científicos e provas conclusivas de que os seus produtos são melhores (melhores no sentido de "mais eficazes" e de "mais eficientes") do que os da concorrência. Por outras palavras, gostaria que alguém apresentasse argumentos concludentes que me levassem a pagar o preço exorbitante que os pacotes da Agel custam (e que são praticados apenas em ordem a possibilitar o pagamento de comissões a um longo upline), em deterimento dos preços relativamente acessíveis que quase toda a concorrência pratica (argumentos que não passem pelos risíveis: "sabor", "portabilidade dos pacotes", "dosagem certa" e "rapidez de absorção pelo organismo"). É que não basta dizer que "é bom", ou que determinado médico olhou para o produto e "disse que era excelente" - a concorrência pode muito bem ser tão boa ou até melhor - e acredito, pessoalmente, que muitos produtos concorrentes o sejam de facto.

1 - Vou começar o estudo comparativo pelos produtos multi-vitamínicos e multi-minerais, de longe aqueles que poderão ser mais facilmente vendidos/impingidos a potenciais clientes.

Foi publicado, aqui há uns tempos, um estudo feito pela Universidade de Harvard à famosa pirâmide alimentar, e que sugeria uma disposição hierárquica diferente para as várias "espécies alimentícias" em relação a uma configuração que havia sido previamente apresentada pelo governo Norte-Americano. Esta nova pirâmide alimentar tem sido apontada, desde então, como o exemplo correcto - aquele que deve ser seguido para quem pretenda ter uma vida saudável baseada na alimentação.

O estudo pode ser consultado online: aqui .

Este estudo de Harvard sugere, a determinada altura, que o consumo de um produto multivitamínico pode colmatar algumas lacunas na nutrição de muitos consumidores. Mais refere que não é necessário optar por uma marca cara - uma "normal" chega perfeitamente. Eis o parágrafo:

"Multiple Vitamin: A daily multivitamin, multimineral supplement offers a kind of nutritional backup. While it can't in any way replace healthy eating, or make up for unhealthy eating, it can fill in the nutrient holes that may sometimes affect even the most careful eaters. You don't need an expensive name-brand or designer vitamin. A standard, store-brand, RDA-level one is fine. Look for one that meets the requirements of the USP (U.S. Pharmacopeia), an organization that sets standards for drugs and supplements."

Gostaria ainda de sugerir para consulta um estudo da Health Magazine, publicado na página de saúde da CNN, e que fornece uma opinião detalhada e fundamentada sobre produtos multivitamínicos. Ler aqui.

Neste artigo, sublinho as seguintes passagens:

"Your best bet: Avoid the vitamins singled out by ConsumerLab.com, and stick with mainstream names such as Centrum Silver and One-A-Day Women's, which were found to be free of impurities and accurately labeled."

e

"The delivery method (pill, liquid, gummy bear) makes no difference. But vitamins in liquid form may degrade more quickly on the shelf."

Isto dito, passemos aos dados:

Uma embalagem de 30 pacotes/doses de MIN (o produto multivitamínico da Agel) custa cerca de 65€ a um membro da rede ou a um cliente preferêncial (considerando as depesas de envio de uma encomenda única). Este preço, caso o produto seja vendido a retalho (hahaha...) ao consumidor final, é acrescido de uma determinada margem de lucro. Não vou, para este estudo, considerar esta última hipótese - o que, para todos os efeitos, iria encarecer ainda mais o preço comparativo do produto.

Vejamos os preços praticados por alguns produtos concorrentes em lojas/farmácias:

Ecofood - EcoAlpha, embalagem de 60 comprimidos - 36€
Dosagem - 3 comprimidos por dia
(produto vendido no site http://www.enetural.pt)

Maximize - Life Quality Pack, embalagem de 30 pacotes: 35€
Dosagem: 1 pacote por dia
(produto vendido no site http://www.enetural.pt)

Natiris - Quadryl, embalagem de 20 comprimidos: 13€
Dosagem: 1 comprimito por dia
(produto vendido em farmácias e lojas da especialidade)

Centrum, embalagem de 30 comprimidos: 13€
Centrum, embalagem de 60 comprimidos: 24€
Dosagem: 1 comprimido por dia
(produto vendido em farmácias e parafarmácias)

Viterra - Activit, embalagem de 30 comprimidos: 13€
Viterra - Kids, embalagem de 60 comprimidos: 12€
Dosagem: 1 comprimido por dia
(produto vendido em farmácias e parafarmácias)

Juvamine - "1 por dia", embalagem de 28 comprimidos: 8€
Juvamine - "1 por dia", emb. de 30 comprimidos efervescentes: 9€
Juvamine - "1 por dia", embalagem de 45 cápsulas de pó: 9€
(produto vendido nos hipermercados Continente)

Fazendo um quadro comparativo de preços e dosagens recomendadas, temos o seguinte:


(click to enlarge)


Links:

Viterra
http://www.chefaro.pt/Vitaminas/
http://www.infarmed.pt/infomed/download_ficheiro.php?med_id=9276&tipo_doc=fi

Juvamine
http://www.juvamine.fr

Natiris
http://www.natiris.pt/


2 - Articulações e Cartilagens

Uma embalagem com 30 doses de pacotes Agel para as articulações, o produto FLX, à semelhança das outras gamas, custa cerca de 65€. Este produto foi alvo de uma breve referência no jornal Destak (ver: aqui), em conjunto com um produto dos laboratórios Merck, o Seven-Seas Jointcare.

Acho graça a um comentário presente no site de um "distribuidor" Agel, e que é o seguinte: "Mais uma vez a Agel é destacada na imprensa nacional. Desta vez foi no jornal de distribuição gratuita "Destak", onde foi realçado o potencial do FLX e o seu poder perante sérios problemas de articulações

- "realçado o potencial do FLX e o seu poder perante sérios probelma de articulações" -

Leiam o artigo e tentem perceber onde está o "realce" e a indicação ao seu "poder"... (hahaha)

Quanto à concorrência:

Seven Seas - Jointcare Max, embalagem de 30 doses - 18€
Seven Seas - Jointcare Projoint, emblagem de 30 cápsulas - 15€
Seven Seas - Jointcare Advanced, emblagem de 30 cápsulas - 15€
Seven Seas - Jointcare Extra, emblagem de 30 cápsulas - 12€
Dosagem: 1 comprimido/cápsula por dia
(produto vendido em farmácias e parafarmácias)

Os produtos Jointcare são comercializados em quatro gamas diferentes, conforme o fim a que se destinam e a condição física de quem os toma. A composição nutiocional varia conforme a gama. Uma embalagem de Jointcare Max traz 30 comprimidos de glucosamina 1500mg e 30 cápsulas de óleo de fígado de bacalhau. Uma embalagem de Jointcare Extra traz 30 comprimidos com uma dosagem de 500mg de glucosamina, entre outros ingredientes, como por exemplo o Ómega 3.

Pure Nature - Cartil Nature, embalagem de 90 comprimidos: 32€
Dosagem: 3 comprimidos por dia
(produto vendido nas lojas "Celeiro" e em http://www.lojadietetica.com)

Pharma Nord - BioActivo Glucosamina XTRA, embalagem de 120 comprimidos: 28€
Dosagem: 4 comprimidos por dia
Pharma Nord - BioActivo Glucosamina Duplo, embalagem de 60 comprimidos: 26€
Dosagem: 2 comprimidos por dia
(produto vendido em farmácias e parafarmácias)

Viterra - Artro, embalagem de 60 comprimidos: 14€
Dosagem: 3 comprimidos por dia
(produto vendido em farmácias e parafarmácias)

Links:

Pharma Nord
http://www.pharmanord.pt/

Viterra
http://www.chefaro.pt/Vitaminas/

*** Artigo em construção ****

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Online

Após um período que durou bem menos do que aquilo que eu esperava, este blog está de volta ao activo, comentários e tudo.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Offline

Este espaço vai estar em modo de "funcionamento reduzido" durante os próximos meses. Significa isto que não vai publicar novos artigos nem vai apresentar todos aqueles que no passado estiveram disponíveis para leitura. A seu tempo, tudo aquilo que alguma vez aqui foi publicado voltará a estar visível. Por ora, ficarão online apenas algumas informações que considero mais importantes. Os comentários também estarão desligados. Qualquer assunto relevante: e-mail para menard.pedro@gmail.com

Significa isto que estou a abandonar a luta contra a Agel? Nem por sombras (não caiam nesse erro). Significa apenas que estou a mudar a abordagem ao assunto (conforme já vinha pensando há algum tempo), e que essa abordagem exige, por ora, esta alteração de comportamento.

Em breve haverá novidades.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Balbúrdia no Oeste

"Reporter: Sir, those are dummies.
Governor William J. Le Petomane: How do you think I got elected?"
in "Blazing Saddles", Mel Brooks

Neste artigo pretendo analisar três situações de "balbúrdia" que ocorreram neste Oeste tão caricato que de vez em quando se chama PORTUGAL:

1 - O caso dos rótulos "todos" em português.

retirado de http://www.comunidade-agel.com/


Todos? Não.

Ainda não foi este mês, afinal de contas - ainda há embalagens de produtos que continuam a chegar em estrangeiro:


Esta embalagem de FLX foi recebida em Janeiro 2008, por um membro da Agel que teve a gentileza de digitalizar o rótulo e de mo enviar.

Estarei a ser picuinhas? Talvez. Aceito a crítica. Mas não nos podemos esquecer que a Agel já cá anda (em Portugal) há mais de um ano, e que só agora começam a chegar os rótulos em português.
Não obstante, a empresa apresenta um "certificado" (notem as aspas) passado pela ASAE, há não sei quantos meses atrás, a informar que receberam exemplares do produto com as devidas rotulagens traduzidas. A ASAE recebeu. Os membros da rede é que não.
Para que serviu/serve esse certificado ao certo? Pelo que reparei, para ser pavoneado como certificado de aceitação do produto no mercado nacional, ou seja, para fazer passar a Agel, e os seus produtos, por uma coisa que não é. Não acreditam? Digitem "agel asae" no google.pt e vejam como o certificado está a ser usado nos sites da Agel. Os rótulos em português servem para viabilizar a hipótese de venda dos mesmos em território nacional. Nem mais, nem menos. Nalguns desses mesmos sites, aparece uma indicação a dizer que o negócio "Não é Vendas".
Não obstante, a empresa continua a apresentar um contrato, a que eles chamam de ("Policies and procedures") agreement/acordo, todo em inglês. Então, o documento essencial de regulamentação da actividade dos membros está em estrangeiro???? Pois! Mas do Plano de Compensações já não se esqueceram. Quem sabe se por ser muito mais importante mostrar ao interessado em ingressar na rede os cifrões todos que andam por lá espalhados. Contrato? Isso é chato à brava, parece aquilo que a companhia de seguros manda lá para casa e que nunca leio. E então se está em inglês muito menos... não percebo um boi disso! Onde estão as maneiras de fazer dinheiro? Essas é que eu quero ler.


2 - Como aldrabar recrutas com base em omissões no contrato/plano de compensações

Recebi de um leitor meu uma denúncia importante e que diz respeito a uma omissão gravosa no contrato e/ou plano de compensações.

Prende-se com o seguinte: Pode ou não um membro da rede receber comissões do downline se não tiver recrutado ninguém directamente (e partindo do pressuposto, claro, que existe um donwline)?

Este meu leitor informa-me que depois de ter passado dois meses sem receber um tusto (apesar de ter cerca de dez pessoas por baixo de si), resolveu questionar o upline para saber o que se estava a passar, tendo recebido como resposta que deveria de ser um erro na inserção dos dados da conta bancária no backoffice. Pois, não era - o número da conta estava correctamente inserido. Depois de um telefonema para a linha de assistência técnica da Agel (que o mesmo leitor apelida de "exasperante" e "incompetente"), recebe como resposta que não obtivera qualquer comissão porque ainda não houvera recrutado ninguém. Na sequência da mesma conversa, e após ter insistido em saber a cláusula do regulamento onde tal regra estaria enunciada, é despachado com um "olhe, não sei, já andei à procura no contrato só que não consigo achar onde está, mas deve ser por causa disso." Pediu ainda o operador que lhe fosse enviado um e-mail a solicitar essa informação por escrito, e que ele encaminharia o assunto para quem soubesse responder.

Isto foi em princípios de Fevereiro. Até agora não houve qualquer reposta ao dito e-mail, e a conta bancária continua sem receber comissões.

Ora, da leitura que fiz do contrato, e confesso que não foi muito, muito atenta (porque aquilo é um emaranhado de letras, regras e definições pior que os contratos dos seguros), também não encontro qualquer cláusula a limitar o pagamento de comissões por essa razão.

Por seu turno, da leitura do plano de pagamentos, versão portuguesa, chego à conclusão de que a única obrigatoriedade para recebermos comissões, uma vez existindo um downline, é mesmo o termos de efectuar uma encomenda de "1 caixa" nesse mês (ver imagem abaixo).


Estamos, aparentemente, na presença se uma grave omissão de informação. Quem olhar para este esquema - à primeira vista de simples percepção mas afinal de contas muito mal explicado (e que raio quererá dizer aquela frase no final: "baseado num conceito de dois níveis"?), fica convencido que pode ganhar dinheiro mesmo sem recrutar ninguém, bastando para isso apoiar-se no trabalho do upline. A confirmar-se esta informação, deve haver por aí muita gente inscrita na rede que vai
finalmente perceber porque é que nada lhes anda a cair nas contas bancarias.


3 - O hilariante caso da tabela comparativa - um assunto que já vem de trás...


Utilizei, num artigo publicado anteriormente, um quadro comparativo entre o MLM e os Esquemas em Pirâmide, presente numa apresentação em PDF do negócio da Agel, e que me foi enviado para o correio-electrónico por um Team-Member dessa mesma companhia. A mensagem dizia o seguinte:

"COMO GOSTARIA K O PEDRO FICÁSSE COM COM OUTRA IDEIA DA AGEL ENVIO-LHE O LINK DO SITE EM PORTUGAL COMO TAMBÉM DUAS PEQUENAS APRESENTAÇÕES"

Depois do artigo estar publicado, vem um outro Team-Member da Agel, um suposto conBlogger, estranhar e criticar a utilização de tal quadro, utilizando-se das seguintes palavras:

"Quanto ao quadro apresentado pela Diamond Director Maria João Tavares e Regional Director Marisa de Sousa numa reunião de motivação direccionada a esclarecimento de membros e não à promoção do PRODUTO e/ou NEGÓCIO AGEL, colocada ao dispor apenas aos já membros Agel, muito estranho o facto do conblogger Pedro Menar ter como base "científica" uma exposição de mera apreciação interna,"

Segundo estas afirmações, o dito quadro e a dita apresentação não seriam para colocar à disposição de mais ninguém fora da reunião (e apenas aos já membros da Agel), e não se destinariam "à promoção do PRODUTO e/ou NEGÓCIO AGEL,".

Pergunta 1 - Porque é que tal apresentação, se era "coisa interna", me vem parar assim desta forma às mãos, sem qualquer indicação acerca das suas origens ou objectivos? Logo a mim?

Pergunta 2 - Porque é que o mesmo quadro está disponível na net, já com algumas alterações, no site de um outro Team-Member, interessado directamente na promoção do negócio E dos produtos da Agel? Um site que também oferece telemóveis a quem se inscrever na Agel até final de Janeiro?




Pergunta 3 - Como é que um quadro com tantos disparates lá metidos dentro, à razão de um ou mais por célula, é utilizado para "motivação direccionada a esclarecimento de membros"???? Que espécie de esclarecimento é este???? Parece mais uma suave lavagem cerebral. Quem ler um quadro destes e não souber que conceitos estão em causa, come tudo sem se queixar - para logo de seguida utilizar esses argumentos no seu trabalho de recrutamento.

Ainda no outro dia alguém no "Indústria da Decepção" - alguém que certamente deverá ter estado na tal reunião -, utilizou os mesmos argumentos presentes no quadro para me confrontar com a suposta "verdade", se não, vejamos o que foi dito ( aqui ) :

"A lei permite a existência de empresas que usem MMN e pune as que usam sistema em pirâmide:

1 - A primeira diferença entre elas é que eu terei que declarar no meu IRS TODOS os meus rendimentos obtidos com a AGEL. No fim do ano a Agel envia-nos uma declaração de rendimentos para esse efeito.

2 - Para declarar esses rendimentos tenho que estar coletado nas finanças, como já estou, e aliás já estava, devido à actividade profissional que exerço.
Eu PAGO IMPOSTOS pelos rendimentos que tenho com a AGEL.

3 - A Agel oferece um produto, oferece um serviço, coisa que empresas em pirâmide ILEGAIS não o fazem.

4 - Com a Agel “os ganhos são proporcionais à produtividade” ou seja, quem trabalhar mais, vai ter mais Ganhos. Ao contrário nas empresas em pirâmide que dessiminam a ideia de que todos vão ganhar uma fortuna.

5 - A AGEL é controlada por uma empresa. Negocios em piramide sabe tão bem como eu que são controladas por PESSOAS, que nunca niguém sabe quem são e nunca niguém declara e paga impostos por esses rendimentos."

Num espaço de tempo relativamente curto, tenho três referências directas ao supra-mencionado quadro, feitas por três pessoas diferentes. A um quadro que era suposto estar dentro de uma apresentação de motivação"à porta-fechada". Apresentação essa, já agora, que todos podemos ler aqui:

http://www.fourseasons-rest.com/App_legal_e_cientifica_dos_produtos2.pdf


Ainda no seguimento da discussão em torno do quado, o mesmo Sr. vêm ainda afirmar que "ACEITA, QUE O MESMO , DO PONTO DE VISTA TÉCNICO, CAREÇA DE ALGUNS AJUSTES, MAS COMO JÁ HAVIA REFERIDO, É O RESULTADO DA JUVENTUDE DO MLM ENTRE NÓS E DA JUVENTUDE DA PRÓPRIA EMPRESA."

Pergunta 4 - Como é que uma empresa, por mais jovem, que seja, se mete num negócio de MLM se as ideias que tem acerca dos conceitos são estes? (hint: de jovem a empresa não tem nada, uma vez que quem a gere já tem muitos anos de casa noutras empresas de MLM).

Pergunta 5 - O apresentação está assinada por uma Diamond Director e por uma Regional Director. Será que estas pessoas são assim tão jovens face ao conceito de MLM? É que para chegar onde chegaram tiveram de recrutar/motivar muita gente. Será que esse recrutamento foi feito com base nos conceitos apresentados no quadro? Tudo aponta para aí...

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Foi interessante contar com a preciosa ajuda deste Sr., que acabou por me alertar para uma situação muito mais gravosa do que aquilo que aparentava ser a princípio. O que começou por ser uma crítica a um simples quadro de apresentação de um negócio , acabou numa crítica a um quadro UTILIZADO PARA MOTIVAR TEAM-MEMBERS à porta fechada. Muito obrigado por esse pedaço de informação previligiada.



quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Pirâmides, Ponzis e outras aves raras

"It's easy to make a lot of money, if all you want to do is make a lot of money." - em Citizen Kane, por Orson Welles

Pirâmides

A essência: o mecanismo-catapulta que caracteriza qualquer Esquema em Pirâmide - no sentido de trafulhice sócio-económica, e para além de qualquer conotação legislativa -, está muito bem explicado nos seguintes cartoons:

Seminário: "Como Ganhar Dinheiro"
- Aluguem um auditório como este e cobrem 30€ por cada lugar. Obrigado por terem vindo.




- E então vocês perguntam: Tom, como é que eu posso fazer para ficar podre de rico? É simples, basta engrupirem outras pessoas da mesma maneira que estão prestes a ser engrupidos por mim.


Uma Pirâmide assenta em três características fundamentais:

1 - Há uma troca de dinheiro entre um promotor e um interessado - o interessado paga para pertencer a um "negócio" (seja por conta da compra de produtos, seja por conta da compra de serviços, seja por conta de nada em concreto, não faz diferença - o que interessa é a "oportunidade" de explorar uma rede/negócio).

2 - O interessado, agora membro participante no esquema, pode recuperar o dinheiro investido através do recrutamento de outras pessoas. Os novos membros pagam também ao promotor para entrarem no "negócio" e o interessado que os recrutou recebe dinheiro por conta desse recrutamento. Quantos mais membros ele trouxer para a rede, mais comissões recebe e, consequentemente, mais hipóteses tem de recuperar o investimento. A motivação principal para cada membro é conseguir subir acima da linha de prejuizo, e a partir desse momento qualquer nova entrada é lucro limpo.

3 - A rede expande-se sempre na base do "1 para n". Um membro pode recrutar n novos membros, cada um deles por sua vez pode recrutar outros n novos membros, e assim sucessivamente - até ao infinito (sendo que "infinito", nesta situação, significa o muito concreto finito da saturação de mercado). Esquematizando este processo no papel, ficamos com um desnho parecido com uma pirâmide, e daí possivelmente a origem da expressão. Algumas contas rápidas dão para entender que 66% a 99% dos inscritos, conforme a estrutura do esquema, nunca vão ganhar dinheiro nenhum. A maioria perde sempre dinheiro - é uma certeza matemática.

Em resumo simples: uma pirâmide é uma rede para a qual uma pessoa entra de livre vontade e se coloca numa situação inicial de prejuizo. Para recuperar o dinheiro investido, a única hipótese viável/atractiva é recrutar outras pessoas para a rede.

Em torno desta lógica simples, podemos encontrar as mais estrambólicas e esforçadas variações, algumas delas sem qualquer tipo de preocupação e esconder a origem, outras impecavelmente camufladas para que pareçam outras coisas. Algums pirâmides eliminaram inclusivamente o pagamento inicial de adesão (e a consequente comissão ao angariador), embora mais cedo ou mais tarde o aderente seja pressionado a efectuar um pagamento ou uma compra qualquer. O conceito de MLM é aquele que melhor aproveita as potencialidades de uma pirâmide, devido às similaridades existentes entre os dois modelos. Dir-se-ia que foram feitos um para o outro, tal é a perfeição de encaixe. O aproveitamento de um Esquema em Pirâmide como forma de expansão de um MLM introduz bastantes novas variáveis ao sistema, a mais evidente das quais a vinculação dos membros a uma periodicidade regular nas trocas de dinheiro - as compras periódicas de produtos/serviços são uma espécie de mini-ecos repetidos da ideia presente no recrutamento de membros, e o objectivo é superar a linha de prejuízo mensal à conta das compras feitas por um downline volumoso. Os pagamentos mensais por conta de comissões ligadas a compras dos outros membros fazem circular ininterruptamente, periodicamente, o dinheiro das camadas de baixo para as camadas de cima. Quase nunca há financiamento externo resultante de vendas de produtos para fora da rede. Quase sempre os produtos são vendidos aos membros a um valor acima do real e acima dos preços normais praticados no mercado em produtos concorrentes. Por outro lado, a existência de um produto é um disfarce excelente, uma vez que permite: a) elevar a fraude ao nível de um negócio legítimo de "vendas directas", pelo menos em teoria, e b) fazer supor aos membros que adquiriram algo de valor, algo que podem voltar a trocar por dinheiro em caso de opção.

A confusão entre os conceitos de Pirâmide e MLM é natural (e de muito difícil percepção e distinção), uma vez que ambos partilham de várias realidades comuns. Eis as mais importantes:

1 - Em ambos, pode haver recrutamento de novos membros para propagar a rede
2 - Em ambos, pode haver a movimentação de produtos e/ou serviços
3 - Em ambos, é dada a hipótese/oportunidade aos membros de vender esses produtos/serviços a terceiros fora da rede
4 - Em ambos, há um forte incentivo ao consumo desses serviços/produtos.
5 a) - Em ambos, qualquer membro pode ganhar mais dinheiro do que alguém no seu upline, tudo depende dos resultados do esforço e dedicação
5 b) - Em ambos, os membros que tiverem um longo downline estão, à partida, em condições de fazer mais dinheiro do que os que não tiverem, visto que...
6 - Em ambos, podem ser ganhas comissões relativas a transacções comercias feitas por outros membros - tipicamente membros do downline. Quanto mais volumoso for o donwline, mais hipóteses há de ganhar dinheiro indirectamente, por acções de terceiros.


Num esquema em pirâmide com produtos/serviços,
1) as vendas para dentro da rede,
e/ou
2) a aquisição obrigatória de uma quantidade injustificada de produtos/serviços (inventory-loading),
e/ou
3) o ter de se pagar (através da compra de produtos) para receber as devidas comissões (pay-to-play),
são os três factores indicativos mais importantes para identificar a falta de legitimidade do negócio
.
(poder-se-á juntar ainda um outro factor a este lote: a (im)possibilidade de recuperar o dinheiro investido através da desistência de participação no esquema).

Ao longo da história de casos judiciais em que o assunto "pirâmide ou MLM" foi abordado, quase sempre a disputa foi centrada em torno destas questões particulares. Quando, pelo contrário, houver uma filosofia concreta e real de venda de produtos a terceiros fora da rede (não pertencentes ao esquema), com as respectiva comissões a acompanhares esse acto concreto, o negócio é lícito. É a chamada Venda Directa. Esta subtileza pode ser percepcionada no ênfase que é dado ao recrutamento de novos membros, em detrimento da vontade em vender produtos a terceiros.

Numa analogia simples entre um Esquema em Pirâmides sem produtos e um Esquema em Pirâmide com produtos podemos observar o seguinte: a) o que faz expandir a rede numa pirâmide sem produtos é a impossibilidade física em vender o que quer que seja para fora da rede - como não há produtos ou serviços comercializáveis, o único escape para ganhar dinheiro é recrutar pessoas; b) o que faz expandir a rede numa pirâmide com produtos é a falta de atractividade na venda de produtos (por factores que sejam: o preço final dos produtos, pouco competitivos face à concorrência, a falta de atractividade da actividade de "vendas" em si, e o desequilíbrio concreto no plano de compensações da empresa, que pode premiar muito mais factores "não decorrentes das vendas", ou outros), apesar de HAVER essa hipótese à mesma. À semelhança da Pirâmide sem produtos, não há movimentação de nada para fora da rede, e os membros dedicam a maior parte das suas energias a atrair outros membros para a rede (que consequentemente originarão comissões e bónus decorrentes das suas compras).
Portanto, na prática o processo de ganhos de bónus e a ênfase dada ao recrutamento pouco diferem de um para outro modelo. Em ambos os casos, não há vendas para fora da rede e toda a gente dedica esforços para recrutar mais membros.

Nos últimos anos, a FTC tem conseguido encerrar algumas grandes companhias de MLM, sob a acusação de serem pirâmides. Segundo uma carta dirigida à DSA em 2004, a FTC determina, como factor indicativo mais importante para identificar uma pirâmide, a compra de produtos por parte dos membros apenas por razões de recebimento de comissões (o tal pay-to-play). Enquanto teoricamente - a nível de percepção do cerne do problema - esta abordagem me pareça bastante correcta e sensata, na prática não há maneira de a implementar. Como raio podemos provar que os membros de determinada companhia adquiriram determinados produtos só para poderem ter acesso ao plano de compensações? Como podemos provar que não foi por simples vontade de consumo desses produtos? A este respeito, a lei portuguesa (o Decreto-lei 143/2001, artigo 27º) é muito mais radical: considera que qualquer desconto obtido por conta de vendas a terceiros é sinónimo de pirâmide, sem especificar quaisquer razões. Pena é não haver vontade de a aplicar na prática...

Alguns exemplos de Esquemas Piramidais:


1 - Pirâmides Sem Produtos

http://www.diarioleiria.pt/4105.htm

Vejam só a argumentação do tipo que falou com os jornalistas...

"O Diário de Leiria contactou um elemento da empresa, que negou a ilegalidade, alegando que a estrutura está sediada em Espanha, onde um "buraco" na legislação permitirá a actividade, mas admitiu que o recrutamento e as acções de formação ocorrem em Portugal. «As pessoas aderem livremente, não há qualquer tipo de coacção sobre ninguém. Não há qualquer tipo de má fé», garantiu, citando a existência de cinco dezenas de empresas em Portugal a utilizar o método pirâmide.
Mais do que discussão em torno da legalidade, o nosso interlocutor faz um apelo em relação ao lado humano da situação.
«Era terrível se a notícia saísse neste momento. As pessoas que entraram esta semana vão ficar sem o dinheiro», diz, acrescentando que há pessoas que conseguem, por esta via, obter verbas que as ajudam a superar dificuldades do quotidiano."

As pessoas que entraram esta semana vão ficar sem o dinheiro??? ENTÃO E AS OUTRAS QUE VIEREM A SEGUIR - e que, exponencialmente, serão muitas mais??????? Então e pensar em devolver o dinheiro a essas pessoas que "vão ficar sem ele"?????

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Outro caso:


Um caso mais recente em Portugal, ainda a decorrer (17/06/2008), o "Jogo da Bolha":

Notícia no:
- Sol
- Diário de Notícias
- Correio de Manhã.

Este caso tem a particularidade de ser organizado pelos próprios participantes no esquema. Não há nenhuma empresa com interesses financeiros por detrás...


2 - Uma Pirâmide Com Produtos

O caso da Equinox, alguns tópicos para considerção:

- Empresa Norte Americana de Marketing Multinível, comercializava produtos de saúde, beleza, e a ainda filtros de água.
- Fundada em 1991.
- Conheceu um crescimento astronómico na primeira metade dos anos 90.
- Acima de 40000 distribuidores.
- Considerada pela revista INC a empresa privada de mais rápido crescimento em 1996, encabeçando uma lista das "500 mais".
- A taxa efectiva de crescimento, entre 1991 e 1996 foi de 35000%.
- Membro da DSA (Direct Selling Association).
- Alvo de um processo judicial combinado em oito estados diferentes nos Estados Unidos, 1999.
- A acusação: Esquema em Pirâmide - a rede gerava dinheiro não a partir das vendas dos produtos, mas sim de um infindável processo de recrutamento, em que os novos recrutas eram incitados a comprarem grandes quantidades de produtos, a um preço elevado; para além disso, a empresa foi acusada de falsear os rendimentos previstos dos distribuidores.
- Alegou em sua defesa tratar-se de um negócio "tal como o da Amway".
- Fechada pela Federal Trade Commission em 2000, e obrigada a pagar uma compensação de $40.000.000, a distribuir por todas as vitimas da fraude.

Mais informações: aqui.

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Não quero tirar conclusões precipitadas a partir deste exemplo. Não serve para provar que a Agel é uma empresa igual - e por consequência ilegal (tal como o raciocínio de "somos como a Amway" não serviu para ilibar a Equinox aos olhos da justiça). Serve apenas para provar que o MLM e os esquemas em pirâmide podem coabitar na mesma realidade empresarial. Serve também para provar que o "ser membro da DSA" não é argumento válido para justificar a legitimidade de um qualquer modelo de MLM.
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3 - Uma Pirâmide por e-mail (uma chain-letter)

Recebi no outro dia, de uma estimável leitora minha (a senhorita Cleopatra, a quem muito agradeço), um exemplo de um Esquema em Pirâmide por e-mail. O processo é simples: a mensagem traz uma lista de seis nomes e de seis respectivos NIB's, e pede-nos para depositarmos 1€, por transferência bancária, a cada uma dessas seis pessoas listadas; depois, o que temos de fazer é apagar o primeiro nome da lista, adicionarmos o nosso próprio nome no final, e enviarmos o e-mail para uma série de 50 (ou mais) outros contactos.
Junto com esta mensagens, vem um texto daqueles da treta ("uma história real"), a explicar como o tipo que teve a ideia estava quase na miséria quando se lembrou desta artimanha, e como alguns meses depois já tinha a casa paga e andava de carro de luxo. Vem também uma clarificação detalhada dos cálculos do mecanismo, incluindo o total final de ganhos previstos, soma que ascende a alguns milhares de euros - por apenas 6€ de investimento. Engenhoso.

Eis uma explicação mais detalhada destes esquemas manhosos aqui .

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E eis uma acta do parlamento de New South Wales, Autrália, sobre uma interessante discussão em torno do assunto "Pirâmides", datada de 1999.

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Ponzis

Os Esquemas Ponzi são frequentemente confundidos com Esquemas em Pirâmide, com os quais repartem algumas afinidades duvidosas - a necessidade de trazer mais pessoas para a rede, em ordem a sustentar os ganhos dos que já lá estão, por exemplo, e a elevada percentagem de lesados no final da rede. Há quem defenda que são uma variação muito específica dentro dos Esquemas em Pirâmide, uma posição que é válida de certa forma, mas em todo o caso irrelevante: continua a haver diferenças específicas que permitem uma diferênciação. O factor essencial que os distingue de uma Pirâmide é a ligação que (não) se estabelece entre os membros inscritos. Num Esquema em Pirâmide, os membros recrutam-se uns aos outros e ganham dinheiro com isso ou dai derivado; num Ponzi todos os membros reportam directamente à entidade promotora e é com ela que fazem negócio - não há uma interacção comercial de membro para membro, embora possa haver avisos de chamamento para a rede. Uma outra diferença grande pode ser apontada para esclarecer os conceitos: num Ponzi, o dinheiro é investido pensando que irá ser devolvido com juros, sem que nenhuma acção seja requerida em troca - bastará, hipoteticamente, esperar que o tempo passe para que o dinheiro cresça; numa Pirâmide, o dinheiro investido inicialmente é dado como perdido definitivamente, e, para o recuperar, uma pessoa terá de recrutar outras pessoas - terá de "trabalhar" para que isso aconteça. Num Ponzi, ninguém perde dinheiro até que o esquema estoire, e nessa altura toda a gente que não o tenha levantado ficará irremediavelmente sem ele.

Os esquemas Ponzi são assim conhecidos em "homenagem" ao primeiro golpe mediático do género, arquitetado pelo próprio Charles Ponzi, nos Estados Unidos, anos 20. A ideia era invulgarmente simples e atractiva: o Sr. Ponzi oferecia um serviço de pagamento de juros que permitia duplicar o investimento em cerca de 90 dias (não estou a brincar!). Por outras palavras, eu dirigia-me ao balcão da agencia do Sr. Ponzi, depositava 500€, tal como se fosse num banco, e ao fim de 90 dias teria um valor acumulado de 1.000€ à minha espera. Outro atractivo deste negócio era o re-investimento: grande parte dos interessados via com bons olhos a hipótese de não recolher do dinheiro, pois a cada 90 dias o bolo duplicava.

O problema do esquema, obviamente, era a impossibilidade de gerar uma taxa de juro tão alta. O Sr. Ponzi não tinha à sua disposição nenhum mecanismo de investimento de retorno que lhe garantisse a sustentabilidade das promessas que fazia. O Sr. Ponzi pegava no dinheiro que as últimas pessoas lhe tinham entregue como investimento e pagava com ele os juros daqueles que já lá estavam há mais tempo, tirando pelo meio uma notas para seu gozo pessoal. Como consequência, não havia maneira de pagar a toda a gente em caso de necessidade efectiva. O esquema acabou por ser questionado publicamente, levando a uma corrida desenfreada aos escritórios do Sr. Ponzi: todos desejavam levantar o dinheiro ao mesmo tempo. Incrivelmente, o Sr. Ponzi conseguiu dessa vez pagar as dívidas. A queda, contudo, foi inevitável e o homem acabou na cadeia depois várias tentativas de prisão e de um processo ultra-meditático.


Charles Ponzi posa para as câmaras da penitenciária


O resto da história é melhor lerem por vós:

http://home.nycap.rr.com/useless/ponzi/

http://www.mark-knutson.com/


Cá em Portugal temos dois casos sobejamente conhecidos de esquemas Ponzi: o da D. Branca, a banqueira do povo, e, mais recentemente, o da Afinsa/Fórum Filatélico, que só era a terceira maior empresa mundial de activos não financeiros. Nos dois casos, as contas sairam furadas aos promotores do negócio, que à semelhança do Sr. Ponzi, acabaram a ver o sol atrás das grades.

Enquanto que no caso da D. Branca apenas havia um serviço por detrás do negócio - a prestação de juros (10% todos os meses, contra os 100% em três meses do Sr. Ponzi):

Reportagem no Correio da Manhã
(nota: o link por vezes é teimoso de funcionar - como todos os do Correio da Manhã. Caso dê problemas, copiem-no e coloquem-no directamente na barra do browser)

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... no caso da Afinsa e do Fórum Filatélico, e para além dos juros (6% ao ano), o negócio envolvia uma contrapartida em selos, que supostamente teriam um valor de mercado concreto (um valor falso, como se veio a descobrir mais tarde, 10x inferior ao real!), e que funcionavam como aval de garantia para o investidor:

http://www.thinkfnwiki.com/wikibolsa/Afinsa

(nota: o link acima substitui o link directo para a wikipedia, que por força de ser uma plataforma de livre edição por toda a gente, está sujeita a deturpações e a cortes por parte de interesses vários. Podem comparar este efeito indesejado, por exemplo, nos links (não) fornecidos no final do artigo existente nessa enciclopédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Afinsa)

Reportagem no Correio da Manhã
(nota: o link por vezes é teimoso de funcionar - como todos os do Correio da Manhã. Caso dê problemas, copiem-no e coloquem-no directamente na barra do browser)

Discussão sobre o caso no Fórum "Think Finance"

E o caso continua, em 2008, a tentar arranjar uma solução para os lesados...

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Mas de longe o meu esquema Ponzi "favorito" foi o PIPS, um sistema fraudulento originário na Malásia, lançado a nível mundial (Portugal incluído) que, em troca de um modesto investimento, prometia uma taxa de juro de 2% ao dia(!!!), e que durou uns dois ou três anos até "crashar" - deixando alguns milhares de lesados um pouco por todo o mundo.

Podem ler uma espécie de resumo da história no seguinte link (15 páginas de comentários), uma vez que os sites originais já há muito que desapareceram:

Thread no Fórum "Think Finance"

Outra thread no Fórum "Think Finance" (inglês, 169 páginas)

Os comentários apresentados pelos defensores do PIPS lembram-me em tudo os comentários dos Ageis mais ferrenhos - uma história a ler com atenção. Às páginas tantas há alguém a perguntar se achavam possível que 170.000 pessoas em todo o mundo estivessem a ser enganadas sem que ninguém desse por nada. Como se veio a provar mais tarde, a resposta era "SIM". O último comentário colocado na thread portuguesa consegue, contudo, ser bastante dramático e arrepiante...


Bryan Mardsen, criador do PIPS, a caminho de uma divisória 2x2

Mais informações sobre o PIPS, aqui.



Outras Aves Raras - e as suas tentativas de explicar a realidade, ilibando a Agel pelo caminho...

Eis alguns argumentos frequentemente utilizados para defender o esquema da Agel:

1) "Se formos ver bem, toda a sociedade em que vivemos é uma Pirâmide."

2)"Numa empresa normal, as coisas também funcionam em pirâmide. Os de cima ficam com a maior parte dos lucros e os de baixo, a grande maioria, são sempres explorados."

Resposta a estas percepções desvirtuadas da realidade:

1) A sociedade em que vivemos funciona de facto de acordo com uma espécie de pirâmide de classes, embora o conceito de Pirâmide seja aqui manifestamente diferente de um "Esquema de Vendas em Pirâmide", de acordo com as explicações apresentadas mais acima neste artigo.

Um cartoon ilustrativo desta realidade:

Conforme as camadas, de cima para baixo: "CAPITALISMO; Nós mandamos em si; Nós enganamo-lo; Nós disparamos contra si; Nós comemos por si; Nós trabalhamos por todos e alimentamos todos."

Mais: não poderemos nós comparar o sistema de fundos de pensões a um esquema PONZI? podemos claramente: quem está neste momento a descontar para a reforma está na prática a pagar as pensões dos reformados actuais - é inclusivamente tema de debate social a fragilidade financeira dos cofres do Estado - não há dinheiro para pagar a todos .

CONTUDO, há uma lógica inerente a estas estruturas sociais, e que apontam, quero acreditar, para um conceito de ordem e de justiça social. Há algo de BOM e de JUSTO por detrás destes sistemas (embora, sim, haja sempre desvios às normas, trafulhices e desonestidades pelo meio). Não estamos aqui a falar num "Esquema de Vendas em Pirâmide" operado por uma empresa (ou por "pessoas"). Estamos a falar nos alicerces sociais - algo que é necessário, com tudo o que de "bom" e de "mau" isso acarreta. O sistema de pagamento de pensões não é feito para dele ser retirado qualquer lucro - não é uma exploração descaradamente comercial. Se à comparações que só fazem sentido para delas retirarmos conclusões distorcidas, então esta é uma. Não há nenhum legado das artimanhas criminosas do Sr. Ponzi na maneira como o estado gere as pensões.

2) Quanto à comparação de uma Pirâmide com uma empresa normal, três aspectos fazem a diferença entre as duas realidades:

a) Numa empresa normal, ninguém tem de pagar dinheiro para depois o voltar receber, hipoteticamente, mais tarde. Ninguém está em situação perdedora à partida. Há um contrato de trabalho que vincula a empresa a PAGAR, numa base regular, ou a troco de horas por trabalho, um salário ou compensação monetária.

b) Numa empresa normal, ninguém fica a perder dinheiro (ao contrário de numa Pirâmide em que pelo menos 66% fica em situação de prejuizo). Toda a gente recebe um salário. Para receber esse salário é necessário TRABALHAR (algo que na Agel ninguém está interessado em fazer). A divisão do trabalho, e se exceptuarmos as cunhas, é feita de acordo com as competências individuais de cada pessoas, e o rendimento auferido é uma componete directamente relacionada com este aspecto. Mais uma vez, é um sistema JUSTO. Com alguns defeitos, mas JUSTO. Exploração? Sim, há exploração. Muita até, em meu entender. Mas é exploração PAGA. REMUNERADA. Onde está essa remuneração para quem fica nas últimas camadas de uma pirâmide, a alimentar a carteira dos parasitas lá de cima? Fica a pergunta. Por alguma razão os membros das redes de venda directa são apelidado de "Vendedores Não Remunerados" - garantem que o produtos saiam das fábricas e muitos ainda pagam para o fazer...

c) Uma empresa normal comercializa produtos e serviços a clientes terceiros, a pessoas que não trabalham para ela. Não vende/impinge a sua produção aos seus próprios trabalhadores. É dessa forma que gera dinheiro. Numa pirâmide, em contrapartida, temos um sistema essencialmente fechado, com poucas ou nenhumas hipóteses de premiar quem "vende para fora" (porque os produtos são difíceis de vender), em que cada novo inscrito paga comissões a quem já lá está e fica também a fazer parte do processo de compras/consumo.

No livro "As Vinhas da Ira", de John Steinbeck, uma família de agricultores na falência, os Joad, é despojada das suas terras e obrigada a atravessar os Estados Unidos à procura de trabalho e melhores condições de vida, na época da grande depressão. Ao lo
ngo de uma penosa jornada que reparte com milhares de outras famílias na miséria, os Joad vão encontrando uma série de locais onde ainda se consegue arranjar trabalho de ocasião, a apanhar fruta das árvores, ou em campos de cultivo, ou a cavar valas no chão. O salário pago ao dia, nesses campos, não chega sequer para alimentar toda a família, mesmo que todos trabalhem. Para piorar a situação, algumas quintas ficam de tal maneira distantes de povoados populacionais que as únicas lojas que disponibilizam comida, e que por acaso pertencem aos proprietários dessas mesmas quintas, vendem os produtos a preços super-inflacionados, acabando por recuperar o dinheiro todo que é pago na labora. Salvaguardando as devidas distâncias, é uma situação que me lembra a Agel, em que para receber comissões um Membro tem de comprar produtos caríssimos à empresa em questão. Não obstante, os Membros seguem estas regras sem tugir nem mugir, como se fosse uma situação perfeitamente normal ("é assim que é feito noutras empresas de MLM", dizem alguns). Para mais de 90% desta gente, os custos com a compra de produtos serão sempre superiores aos ganhos com comissões.